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Julho 25, 2008
Desde os primórdios do Batman, o Coringa sempre despertou em mim uma grande simpatia.
Seja nos quadrinhos, seja incorporado pelo caricato Jack Nicholson, seja na atuação digna de Oscar póstumo de Heath Ledger no último filme. A verdade é que nunca vi o Coringa como a representação do mal, como um verdadeiro vilão.
E a regra se aplica a outros filmes, histórias e antagonistas. Duende Verde, Lobo Mau, Vingador, Judas, Hussein, Roberto Jefferson e companhia nunca me causaram repulsa, muito menos medo.
No fundo, até admiro o perfil clássico do vilão. Um sujeito intempestivo, de personalidade extremamente complexa e ambígua, remando sempre contra a maré e as normas sociais.
É por isso que os famosos “vilões” do futebol também despertam minha curiosidade.
O goleiro Barbosa, o bad boy Edmundo, o endiabrado Maradona, o tenebroso Eurico Miranda e Ricardo Teixeira, a múmia, são alguns dos vilões que preenchem meu álbum de animes da bola.
Evidente que se trata de situações, histórias e perfis completamente distintos entre os personagens. E, na minha preferência profana, os dois últimos têm lugar especial.
Cartolas como eles têm direito a um final mais feliz nesse mundo fantasioso do futebol. Eurico, polêmico, arrogante, autoritário e destemido, não merece acabar no esquecimento.
Teixeira, homem da canetada fácil, da palavra difícil e das ações mais ou menos, não é digno dos confins empoeirados da história. O script não pode nem deve ser esse.
Cansei dos mesmos heróis e dos mesmos roteiros que botam esses mesmos heróis no mesmo lugar comum de “o bem sempre prevalece”. Cansei da mesmice, pois os mocinhos são sem graça.
Aliás, só existem heróis porque, antes deles, existem vilões. E isso é suficiente para torná-los merecedores de um papel de maior relevância na trama.
Enquanto ninguém se propõe a destrinchar personalidades complexas de Euricos e Teixeiras da vida, me contento com o Coringa no papel principal do último Batman.
E aguardo as próximas cartas na manga dos vilões do futebol.
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